Olhei em minhas mãos. Por um momento procurei relembrar quantas vezes eu havia machucado alguém. Como aquele marido bêbado que chega em casa e na volúpia da ira agride sem pena a pobre dona. Aquela mesma que há tempos ele prometera amor infinito.
Como as pessoas estão se especializando em machucar e decepcionar os outros. Produzindo um grande círculo de desilusões e tristeza. Aquele mesmo filho que você amamenta e cuida com carinho irá crescer. E lutar pela "liberdade" de ser quem ele quer ser. Irá baforar a fumaça na sua cara, como um tapa. Porque ele sabe que a liberdade conquistada lhe dá esse direito. E ele te machuca. E não se importa nem um pouco com suas lágrimas e seus conselhos de mãe/pai, porque a decepção já faz parte de nossas vidas, como um cacoete, uma verruga.
Só lhe resta sofrer em silêncio. Ao menos se ele escondesse seus vícios e seus arroubos. Quem não conhece e não vê tem muito menos a sofrer.
E quantas vezes eu machuquei alguém? Quem sabe? Fisicamente a hipótese é quase nula, mesmo porque há tapas que você dá em defesa própria. Por mera maldade...Talvez um grito, um excesso...Isso sim, claro. Ou apenas um movimento pensado, mesmo que sem maldade, talvez proporcionara a dor de outrém. E quem sabe? Quando se sofre em silêncio, como avaliar o erro? Como pedir perdão, se parece tudo tão normal...Caminhei pela rua silenciosa. Tentava ouvir ou ver algo, uma resposta. Pensava naqueles olhos tristes, mas nunca soube o porque daquilo. Teria eu desencadeado tais sentimentos? Como? Se eu sempre me julguei desnecessário à sua vida?
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
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